18 abr 2012

Dia Nacional do Livro Infantil (e de Monteiro Lobato)

Post por anne às 19:14 em avós, cultura

Post dedicado ao meu pai, maior e melhor incentivador de leitura da Mariana.

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história.”
Bill Gates

 

13 abr 2012

Dia do Obstetra e como eu fugi do meu

Post por anne às 20:34 em histórias, parto, parto humanizado

Fiquei sabendo que ontem foi o Dia do Obstetra pois recebi um e-mail de sugestão de pauta de uma tal obstetra e seu artigo sobre a confiança na hora do parto. No início do e-mail a pessoa dizia que o artigo era sobre as emoções no parto. Rapidamente comecei a ler e a cada palavra eu ficava mais indignada. A dita mencionava a cesárea eletiva como uma boa opção, que não compromete a saúde da mãe e do bebê, já que por ser eletiva, os riscos estão previstos. Ah, ela listou peso do bebê superior a 4 kg como indicação de cesárea.

Isso me lembrou meu antigo obstetra. O fofo que havia feito as duas cesáreas da minha mãe. Aquele bonzinho que me acompanhava desde a minha primeira menstruação. Aquele que me deu sermão ao me ver grávida – o doutor vai pagar as fraldas por acaso? – E o mesmo que me disse que pensaríamos no parto normal já que eu poderia ter um bebê muito grande e isso impossibilitaria. Ah, foi ele também que disse uma vez que eu não ia engravidar nunca gorda daquele jeito.

A data prevista para meu parto era 18 de janeiro. Em dezembro, na minha última consulta com o Marcão, ele olhou pra mim com aquele olhar de cretino quem acha que sabe tudo e disse: “Você quer parto normal, não é? Então ok, feliz natal, feliz ano novo, boa sorte.” Foi assim. Ele com certeza achou que eu, naquele momento ia pedir pra que me cortasse no outro dia. E quando eu saí por aquela porta, ele com certeza achou que eu ligaria em prantos implorando que eu agendasse a cirurgia. No natal Marcão deve ter se lembrado de mim, da ce$área que ficou só pro ano que vem. Daí acho que ele pulou as 7 ondinhas no reveillon xingando a gorda grávida por provavelmente tentar ligar pra ele bem quando ele voltasse. Ele voltou e não tinha nenhum recado com a secretária. No dia 27 de janeiro a secretária dele me ligou, perguntando como eu estava.

- Estou ótima, obrigada!
- E o bebê?
- Ótima também, mamando que é uma beleza!
- Nasceu?
- Sim!
- Mas você não avisou nada para o doutor…
- Eu deveria? Ele não queria fazer meu parto, fui atrás de alguém que fizesse. Parto normal, sabe?
- Ah. E você teve parto normal??? (A coitada da secretária de Marcão me achou uma aberração, acho que ela não conversa com alguém que teve parto normal há anos).
- Sim, pari minha bebê. E olha, ela nasceu com 4.455 kg.
- Nossa! Hum, tá… felicidades, viu? Tchau.

Marcão, queria muito falar com você, mas não para parabenizá-lo pelo dia de ontem, eu acredito que você nem o mereça. Só gostaria de dizer que você estava errado. Que por mais gorda que eu fosse, eu engravidaria. Que por maior que meu bebê fosse, eu o pariria. E que é muito feio você enganar suas pacientes dessa forma. Desejo de todo meu coração que elas abram os olhos e informem-se para não cair nas suas conversas. Nas conversas do Marcão, nas desculpas da Berenice, no terrorismo do Serginho e na história da cesárea de “urgência” marcada para no final de tarde da próxima sexta-feira.

imagem: Memezinho da Mamãe

29 mar 2012

Os defeitos da Piovani, da mídia e do sistema obstétrico brasileiro

Post por anne às 19:25 em cesárea desnecessária, escolhas, parto humanizado

Esses dias fiquei feliz achando que pelo menos a Piovani não era tão (coloque aqui tudo o que achar dela) assim. Os sites de fofoca divulgaram o nascimento do seu Dom como humanizado. Os sites de fofoca que receberam a notícia em segunda mão (copiando?) divulgaram um parto natural. Aí entra o primeiro erro. Pessoas confundem o parto humanizado com parto natural. Não é necessariamente a mesma coisa.

Quando divulgaram a notícia num grupo de Parto Humanizado que eu participo, uma das respostas foi “Pra esse povo, parto humanizado é cesárea com música de fundo”. Eu ri. Mas no fundo, ri de nervoso.

Existem cesáreas humanizadas sim. Mas nem aqui nem na China um médico verdadeiramente humanizado, que faria uma cesárea necessária humanizada (depois de tentar verdadeiramente de todo jeito o parto normal), iria contar a lorota que a coitadinha não teve dilatação.
O pior de tudo isso não é Piovani acreditar piamente na lorotinha. E sim as pessoas acreditarem nisso. E pior, pior ainda, acreditarem que é possível uma mulher não dilatar. Não existe falta de dilatação. A dilatação só não acontece quando o médico não espera o tempo suficiente. A dilatação do colo do útero é um processo passivo que só acontece com as contrações uterinas.

Imagem: Amy Swagman

E pior que tudo isso, desacreditarem nos seus corpos, na natureza e deixarem que um médico metido a humanizado (ai, que feio, ai que vergonha) roubem o seu parto.
Se Luana Piovani soubesse realmente o que é um parto humanizado (e se fosse mais esperta) ela não teria caído na ladainha. Ela e todo mundo. A informação tá aí! Não muito fácil, é verdade. Mas existe.
Se a mídia soubesse realmente daquilo que está falando, não divulgaria informação errada. Assim como acontece e muito.
E o sistema obstétrico brasileiro? Sinceramente, acho que só está do jeito que está porque existem muitas mulheres crendo que não dilatam, que tem bacias estreitas, que seus filhos correm risco de sofrimento na placenta velha, com 3 voltas de cordão no pescoço.

15 mar 2012

vovó faz aniversário

Post por anne às 21:49 em avós, histórias, parto

Há 42 anos nascia minha mãe. No interior do Paraná, em casa.
Ontem no final da tarde me peguei pensando se há 42 anos minha vó já estaria em trabalho de parto. Tive curiosidade de saber se ela chamou logo a parteira ou se teve as primeiras contrações apenas com a presença de meu avô. E se a parteira veio logo, contou pra minha vó o que ela podia fazer para amenizar a dor. E se não veio, minha vó ouviu o próprio corpo e a mente, pedindo posições mais confortáveis.
Imaginei cada contração dela, imaginei o expulsivo e sua emoção ao pegar a primeira filha nos braços pela primeira vez. Com certeza ela deve ter mamado logo, pois é assim que as coisas devem ser e acontecem quando não há nada que possa intervir. E a placenta deve ter sido enterrada embaixo de um pé de qualquer coisa, numa naturalidade incontestável.

Falei tudo isso pois para mim, no dia do nosso aniversário devemos celebrar nosso nascimento. Hoje estou comemorando não só os 42 anos de minha mãe, mas também seu nascimento, digno, humano e lindo. Uma pena que ela não soube me contar como foi, ela mesma não teve curiosidade de saber. Mas na primeira oportunidade vou perguntar pra minha vó. E sempre que posso, conto para Mariana, mesmo que ela não entenda todas as linhas, como foi o dia do nascimento dela. Mostro fotos, vídeos e narro tudo. Como não contar sobre o dia mais feliz da minha vida?

E minha mãe, jovem, a avó mais enxuta do pedaço, que chega com sorriso largo toda vez que acham que Mariana é filha dela e não neta – e isso acontece muito, assim como sempre acham que somos irmãs – acrescenta mais um ano na sua vida. Só tenho a agradecer à ela, que me ajuda um bocado com a Mariana. Não é a toa que às vezes eu chego do trabalho e a Mari prefere continuar com ela do que vir comigo. Isso me chateia e me faz feliz ao mesmo tempo, vejo o amor que uma tem pela outra. Ela só passa longe de ser igual a vovózinha da historinha do lobo mau.

Hoje que sou mãe, sei o quanto é bom e chato ser uma. Desculpe mãe, pelas noites mal dormidas, pelas estrias da barriga, pelos peitos arriados e esfolados, por atrapalhar seus afazeres, pelas desobediências… xi, por aí vai!
Sou muito grata por tudo que fez e faz por mim e pela Mariana. TE AMO! Feliz ano novo!

07 mar 2012

Papai, volta?

Post por anne às 15:00 em surto de mãe

Sou uma péssima blogueira. Deixo o blog às traças por semanas mesmo depois de ter prometido a mim mesma que postaria toda semana. Mas vejam vocês, estão diante de uma mulher que não vê o marido desde a quarta-feira de cinzas. Viajou a trabalho e deixou aqui uma mãe sozinha com uma filha que não dorme e faz muita, muita bagunça. O pai da criança bagunceira está longe, numa cidade do interior do Rio de Janeiro, apelidada por ele de ItaLOST, sofro. Sem contar que o pai, meu querido marido pelo qual estou com tanta saudade que lágrimas escorrem pela minha face gorda, arrastando minhas olheiras ainda mais pra baixo, vai chegar com a mala do tamanho de Italost de roupas para lavar. Apesar de tudo isso, eu amo este homem. Lágrimas de saudade.

A mãe aqui começou academia e agora não sente mais as pernas. Aula de jump e conversas com a professora sobre amamentação, parto e como minhas pernas são tortas. Minha face (e minha estrutura corporal) deixará de ser gorda em breve. Mas as olheiras permanecem, as lágrimas escorrem de saudade e agonia – 20 dias sem sexo marido – e de tanto amor pela minha coisinha falante, dançante e arteira que tanto amo.

Sente falta absurda do papai, fala durante a noite mostrando sinais de sonambulismo e agitação sem fim. Quase não comeu esses dias, parece que vive de vento. Comeu um pastel inteirinho ontem no shopping que eu achei que ela ia estourar. Chegou em casa e quis assistir Baby Einstein pelo Xbox do pai (seria saudade?). Acho que ela foi dormir às 2h da manhã e às 6h estava eu de pé, para ir junto com as minhas pernas tortas pular na mini-cama elástica até sentir as veias queimarem.

 

16 fev 2012

Parto: Um Evento Sagrado

Post por anne às 18:32 em parto

foto: Vivian Scaggiante

Semana passada eu fui na palestra “Parto: Um Evento Sagrado” com a maravilhosa Parteira mexicana Naoli Vinaver. Eu estava tão, tão ansiosa para conhecê-la que minutos antes eu sentia borboletas na barriga. Que tolinha, quando cheguei no local da palestra e a vi, parecia que eu já conhecia há anos. Não sei se por conta dos vídeos que eu vi, das pesquisas que fiz, mas senti assim.
Naoli pariu os 3 filhos em casa e atendeu mais de 1000 partos na região em que reside no México. Ela é referêncial mundial em parto humanizado. Estava no Brasil para assistir o parto da minha doula, que devo comentar, uma das grávidas mais lindas que eu já vi, emanando luz e um sorriso tão profundo e brilhante que guardei pra mim e resgatei na memória ao saber que havia parido do jeito que sempre sonhou. Pensei “imagine aquele sorriso de alegria e gratidão multiplicado por 100.”
A palestra foi sensacional. Nunca imaginei conhecer uma mulher tão espetacular. Ela tem uma sensibilidade incrível, é um poço de experiência e sabedoria, age com instinto. Uma energia muito boa estava circulando no salão.
Tudo o que falou me fez refletir muito. Vibrei com cada palavra e cada sentimento meu em relação ao parto e o evento sagrado que antecede. Sentimentos que brotavam naturalmente e me emocionavam muito.
Me senti muito grata por ser mulher, por ter o privilégio de gerar um filho e parir naturalmente, respeitando minha natureza e a fisiologia do parto.

foto: Vivian Scaggiante

Segurei minha emoção, apesar de umas lágrimas escaparem, até a hora em que ela passou o vídeo O Mundo Nasce ao Ritmo do Coração. Imagens lindas de amor, de mulheres parindo, de barrigas imensas, de bebês nascendo, de pais felizes. Mas o que mais me tocou foi uma imagem maravilhosa de um seio, jorrando leite. Já estava frágil por conta do desmame que eu sofri recentemente (quando estiver preparada falarei disso aqui). Mas aquilo me tocou profundamente. Como a natureza é sábia, linda e divina. Um bebê começa a crescer no útero de uma mulher, fruto de uma relação de amor – e que se não houver mais amor, pelo menos no momento foi bom, tenho certeza. Nove meses abrigado por um outro corpo. Depois nasce, num evento sagrado – como sempre deveria ser, nosso corpo foi feito pra isso, para parir. Parir de verdade. E aí o seio da mãe produz o alimento, o melhor de todos eles, que nutre o bebê sem que seja necessário qualquer outro por 6 meses. Natureza, perfeição. Não compreendo como o ser humano tem coragem de intervir sem necessidade nesse processo todo.
Apesar de morta de vergonha, não me contive, quis uma foto ao lado da Naoli e agradecê-la por estar ali trocando tudo aquilo com a gente. Impossível ver um ídolo bem de pertinho, ter um iphone na mão e sair sem uma fotoca, né não?
Sai da palestra com mil ideias na cabeça que não podem ser colocadas em prática se não houver uma gravidez.  Minha vontade era engravidar naquela noite e se o marido soubesse disso acho que teria dormido no quintal.
Vou conter essa vontade, sigo chupando o dedo até dar a hora certa, mas muito, muito ansiosa para uma nova concepção, uma nova gestação, um novo parto, um novo bebê, uma mãe de dois, uma irmã mais velha, um pai sem dormir. Ai, que vontade que dá.

08 fev 2012

Blogagem coletiva: Relato de parto do meu Blog

Post por anne às 10:15 em histórias, parto

As meninas do Mamatraca  querem saber como nasceram os blogs. O meu é um recém-nascido, veio por meio de um parto transformador! Como não relatar começando pelo passado, né? Pois bem:

Eu fui a primeira da turma do colegial a ter internet banda-larga. A primeira a ter um blog. Isso aos 13 anos. Naquela época blogs eram diários pessoais, com gifs piscantes por toda parte, que os pais reprimiam. Hoje devo muito a isso, com certeza abriu portas para que eu exercesse a profissão que tenho hoje. Sou publicitária por formação, designer por profissão, ilustradora de curiosa e programadora (HTML, php, CSS, essas coisas) de algumas coisinhas de mais curiosa ainda.

Dos 13 anos pra cá, a internet virou uma das minhas melhores amigas.
Claro que ao engravidar eu fiz um blog, extinto, sobre a minha gravidez. Fui notícia de jornal televisivo por relatar meu trabalho de parto (o da minha filha mesmo) no twitter. A repórter me perguntou se eu não tinha medo da exposição. Eles cortaram isso na gravação, mas minha resposta foi mais ou menos assim: Minha filha está nascendo, está acontecendo algo lindo e único na minha vida, por que não mostrar isso ao mundo?

Exatamente. Por que não mostrar ao mundo meus momentos, contar minha experiência, mostrar fotos, vídeos, histórias, da pessoa melhor e mais feliz que sou hoje: MÃE.

Toda mãe sabe que com bebê em casa se conseguimos tomar um banho de 7 minutos tranquilamente, é como ganhar na loteria. Conseguir ir ao banheiro é lucro. Por isso e pela minha vida extra de trabalhadora e dona de casa, eu demorei tanto pra conceber um novo blog materno. Tinha que ser novo, o da gravidez não valia mais, o nome não fazia sentido, as ideias não batiam.

Eu tinha uma grande necessidade de compartilhar minha maternagem. Ia além de uma atualização no facebook, quanto mais um tweet. Mentalizava posts enquanto estava no banho, enquanto amamentava ou quando passava por alguma situação que dava uma história legal. Imaginava os comentários, as trocas de experiência com outras mães, as fotos, os vídeos, os relatos. Vontade, vontade, vontade! Parei de tomar a pílula da preguiça, arrumei um tempo depois que a criança dormiu e mandei ver!

Muito antes dele nascer já tinha um nome. MATERNAGEM. Do verbo Maternar, conjugado nos atos de amor de uma mãe. Eu e minha maternagem. Gestei por muitos, muitos meses. Gestação de elefantas duram mais que 88 semanas. Bem por aí. Meu pré-natal foi feito com Elly Chagas,  que descrente por saber que eu, euzinha, não tinha um blog materno, me cutucava incansavelmente no facebook.

Mãe designer que sou, imaginava como ele seria. Fiz alguns rascunhos. Eu sou uma ilustradora prática, não perco tempo com papel, vou direto na tela. Então, não tenho rascunhos palpáveis para mostrar. Mas tenho o ninho onde ele foi concebido, serve?

Meu notebook, a mesa digitalizadora onde desenho. Tudo isso na minha sala, ao lado da TV. Escritório pra que, quero ficar perto da minha família. Me estacionei com a tralha aí.

A carinha que eu imaginei dele primeiramente era tão diferente de como realmente nasceu. Claro que tem alguns pontos que são parecidos, vindo de mim, alguma coisa minha há de ter.
As corujas chegaram para representar minhas corujices. Esse desenho das corujas eu fiz para uma tatuagem que até hoje vem sendo adiada. Mas o desenho está servindo pra alguma coisa!
Começava a entrar em pródromos bem aí, ao dar início à montagem do layout.

esse programa é o illustrator- clique para ampliar
esse programa é o illustrator – clique para ampliar

Aqui eu preciso dizer que quando eu olho demais para alguma coisa, eu me canso dela. Ainda bem que isso não me acontece na vida, principalmente conjugal, senão…
Olhei durante dias pra esse layout e ele começou a me desagradar. Desacelerei o trabalho de parto pedindo uma analgesia. Durou alguns dias. Para engrenar novamente, tomei uma dose de ocitocina, as contrações voltaram fortes, me causando vontade louca de botar aquilo pra fora logo. Me coloquei a desenhar, minha própria filha, tarefa dificílima pra mim. Twittei neste dia que eu fazia layout pros outros, ilustrações pros outros. Mas quando é pra mim mesma, tenho um bloqueio. Alguma bruxaria toma conta de mim e da minha criatividade. Elly Chagas curtiu, acho que queria dizer “Vai minha filha, tem medo de que, você é mulher que entende da coisa, você pode, você consegue, você é forte, força, força, força, força. Respira. Força.”

Caneta na mão (a digital, né gente) e uma menina parecida com a minha, saindo ali na tela. Arruma uma curva aqui, outra ali, acho uma posição mais confortável, escolhe as cores.

linhas do desenho

colorindo

Como podem ver, sou indecisa nas cores. Fico testando, olho, testo, olho. Até achar a combinação perfeita.

tchaaaam!

E é claro, o blog precisava de um logotipo. O que é uma publicitária-designer-mãe-com-blog sem logotipo? É como o tiozinho do cachorro-quente fazer um lanche pra ele mesmo sem a salsicha.

Teste de fontes. Testes, testes. Contrações, vamos logo com isso aí. Louca pra ver a cara do meu blog. Vem photoshop, agora é sua vez de assistir a este parto. Só me auxilie, o trabalho eu mesma faço, fui feita pra isso. Monta daqui, monta dali, layers, layers, colors overlays owwww!

teste de fontes
photoshop!

Agora é só programar. “SÓ”. Quem vê pensa que é fácil, mas é a transição, a hora que mais dói. Códigos, letrinhas, muitas. É ver pra crer:

programando

Instala o wordpress, bota o tema programado, testa ele. O Blog começa a coroar.

Chamem a parteira que o negócio pegou fogo. Chamei Elly Chagas no círculo de fogo e mostrei tudinho pra ela. Ela disse que estava lindo, que eu estava indo bem. Mas vamos, falta parir. A mãe de merda me doulou, também viu em primeira mão meu blog sendo parido.

Foi um parto normal, quase que natural se não fosse a analgesia para tomar fôlego e iniciar um novo layout. Uma barreira minha. E apesar de ter sido normal, eu escolhi o dia do nascimento. Com a minha própria força, muita luta e desempenho, claro. Um dia especial pra mim, para trazer boas energias.

Agora estou aqui, eu, com um blog recém-nascido no colo, precisando ser alimentado. Ele é muito novinho ainda, mas é muito especial pra mim. Como podemos amar tanto alguém que acabamos de conhecer fazer? Prometo amor, prometo alimentá-lo, prometo cuidar de você, blog. Quero que você seja forte, lindo, saudável e tenha sucesso. Pra mim pelo menos sempre terá. Desejo que nunca perca o bom humor, nem julgue ninguém, não ofenda e respeite os mais velhos. Quero que nos traga muito amor, muita experiência, momentos deliciosos, fotos lindas, vídeos legais e informações úteis.

Que lindo. Que orgulho, eu que te fiz. E agora você cresce alimentado exclusivamente por mim.
Sou uma mãe muito feliz e realizada por ter parido você, meu querido blog.

Nota: Esta é a primeira blogagem coletiva nossa! Ownnn!

07 fev 2012

A Bela e a Fera

Post por anne às 15:54 em passeios

Levamos a Mari no fim de semana para assistir a Bela e a Fera em 3D. Fora as sessões do Cinematerna, Mariana tinha ido conosco ver Carros 2, por vontade maior do pai dela e tocou o terror na sala de cinema. Chegou dormindo, mamou e ficou quietinha até uns 25 minutos de filme. Depois resolveu que seria muito mais legal escalar as escadas marcadas com luzinhas, até lá em cima e depois descer lambendo o corrimão. Pessoas incomodadas e até crianças com olhares de reprovação, sai da sala com ela enquanto marido se deliciava com a segunda versão do seu filme de animação preferido. Foi ruim, decidimos que ela era pequena demais para ficar quieta numa sala de cinema sem incomodar ninguém.

De uns tempos pra cá ela vem trocando os DVDs de música que tem no máximo 50 minutos, por filmes mais longos. O preferido dela é Wall-E, ou melhor, o filme do “Bobozinho” (Tradução: Robôzinho).

Quando eu vi que a Bela e a Fera iria passar de novo no cinema, me deu comichão. Um filme que eu mesma vi no cinema quando era pequena, de volta para as telas. Eu tinha que levar minha filha, tinha! Ela adora princesas, castelo de princesa, vestido de princesa. Ela tem duas Barbies, a meu contra-gosto, mas só gosta de uma delas, porque é a que tem “vestido de princesa” e que brilha. Quilos de glitter espalhados pela casa quando ela começa a arrastar a Barbie por aí.
Enfim, arrastamos o papai para o filme de princesa no sábado a tarde. Poucos pais, muitas mães, muuuuitas meninas. Nenhum menino. Todos os pais com cara de tédio e eu com aquela cara de quem está prestes a montar numa montanha russa. Fui preparando a Mariana, não sei até que ponto ela entendeu aonde estava indo, mas sabia que ia assistir o filme da Bela e da Fera. Disse que tinha uma televisão grandona, um sofá enorme e a gente ia assistir de óculos, uau!

Quando entramos na sala ela dizia “cadê a Bela e a Fera, mamãe?” E eu apontava para a tela, dizendo que ia passar ali. Ela concluiu que “Bela e a Fera tá escondido atrás”. As crianças, ou melhor, as meninas começaram a gritar “Começa, começa” e Mari gritou junto. Quando começou ela deu um gritinho, aquele que a gente reprimi quando sentimos borboletas na barriga de ansiedade e felicidade. Mas como já era de se esperar, ela não quis colocar o óculos. Eu fiquei preocupada dela ver o desenho todo embaçado, mas é que na verdade até eu fico incomodada com óculos 3D. Dói a cabeça, o globo ocular. Troco uma TV 3D por um Iphone 4S. E quando é desenho nem é tão embaçado assim.

Eu e ela vibramos com o filme. Eu chorei, ela riu e o pai roncou dormiu. Ah, ela assistiu todinho, sem querer sair da poltrona – a não ser pra mamar na mamãe, mas não mamou nem por 5 segundos, não aguentou disperdiçar o tempo mamando em vez de ver a Fera virando “píncipe”. NOTA: foi a última vez que ela abocanhou meu peito. Assunto para outro post.

Foi bem legal, menos a parte que ela pediu para ver de novo, à noite, quando já estávamos em casa. Acho que não posso contar aqui que tentei piratear e baixar na internet. Como não consegui, estou com a consciência tranquila. Não pirateei nada, a única coisa feia que fiz no final de semana foi comprar frutas dentro de saquinhos e transportar pra casa em ecobags.

No domingo passamos o dia na piscina da nossa laje que me custou quarenta reais mas pagaria mais pela diversão que ela proporciona. Não cabe 3 pessoas nela, mas a Mariana dentro brincando com seus nenês que fazem xixi é o que importa.

03 fev 2012

Banheiro público para mães deficientes (de ajuda)

Post por anne às 17:56 em histórias, humor

Te pega de jeito. Um jeito arrebatador, que te faz suar, estremecer, arrepiar cada fiozinho de pêlo do seu corpo. Até dói, e como dói. Dor de barriga. Daquelas bem feias. Te pega desse jeito, inesperado, de surpresa, surpresa ruim, pior que aquela quando você olha a fatura do cartão de crédito e a compra esdrúxula que você fez no shopping jurando que cairia só no outro mês, cai lindamente e totalmente ali todinha só pra você, só você pode resolver – pagar isso aí, como quem paga pecados – e o primeiro pensamento sai como o primeiro peidinho: F-O-D-E-U E agora?
Multiplique todo o desespero, angústia e dor por nove se você está fora de casa. Bem longe da sua casa.

Aeroporto Galeão, Rio de Janeiro, dia 14 de outubro de 2011.
Me sentindo a mãe do ano por conseguir carregar duas malas, uma bolsa de notebook com toda a tralha tecnológica pesadíssima dentro, uma mochila com fraldas, lencinhos umedecidos, novalgina, tylenol, aspirinas (todas as drogas, de uso pediátrico, hum), a mochila de sapo, no qual enfiei brinquedinhos chineses com botões de barulhos agonizantes – ouço e faço tudo, tudo mesmo por uma criança distraída e quieta no aeroporto, antes o barulhinho do “celulai da Bárbi” dizendo qualquer coisa em chinês com musiquinha de fundo do que a criança berrando porque cansou de esperar o próximo vôo. E ainda desfilar posuda com a bebê de doze pesados quilos no sling. Tava posuda porque todo mundo me olha quando enfio a menina ali dentro. Qualé que é, nunca viu um sling? E um bebê pesadinho, você já viu? E sentiu?

Faltava uma hora para o embarque e a vontade veio. Eu não sabia se abraçava as malas, se mordia o celular ou se pendurava nas hastes da Infraero como a Mari, feito quem dança poli dance. Nessa hora você não sabe onde está, como chegou ali e quem você é, a única coisa que te passa na cabeça é um vaso sanitário brilhando de limpo, com assento almofadado e papel higiênico dupla face extra-fofo. Mentira! Nas minhas condições até o banheiro do buteco da esquina tava valendo. Pra limpar depois a gente vê, mas precisa sair. Catei as malas, joguei em cima daqueles carrinhos para malas de aeroporto, tão pesado quanto as malas que mal dá pra empurrar e botei a menina em cima de tudo. “Vem Mari, vamos beber uma água”. Disfaça, tem gente olhando.
Entrei em disparada no banheiro. Tive que pensar muito rápido, senão cagava ali mesmo, na porta.
Malas, podem roubar. Mariana. Podem roubar também. Já viu por aí notícia de crianças roubadas né? Esse é maior medo que eu tenho, além de ter que cagar no chão de qualquer lugar público. (Já viram o vídeo da mulher cagando no mercado? aqui.)
Aí Deus me mandou um sinal e trilhou meu caminho, rumo ao banheiro de deficientes físico. Na verdade essa coisa do sinal de Deus é uma desculpa pois me considero uma pecadora por ocupar o banheiro de deficientes, quase a mesma coisa que parar o carro na vaga de deficientes. Mas naquele momento eu era uma mãe deficiente de ajuda que precisava muito mesmo usar o banheiro.
Enfiei o carrinho de malas todinho dentro da cabine, maior que o banheiro lá de casa, oia que beleza! E lá de fora muitas pessoas, desiludidas por terem perdido o voo, ou por terem esquecido parte da maquiagem, enquanto a minha única preocupação era que ninguém desconfiasse que eu estava ali fazendo outra coisa que não fosse o número 1. Para isso, criei uma estratégia bem simples, conversar com a Mariana, simulando uma troca, uma lavada da mão dela, beijinhos na mamãe, troca do sapo também, enfim, para as pessoas ocupantes das cabines sanitárias ao lado pensassem que eu estava apenas dando uns reparos na fralda e roupa da minha filha. Já contei que morro de vergonha e odeio fazer cocô fora de casa? E em banheiro público então? Tão chato um bando de desconhecidos estarem cientes que ali bem próximo deles você está realizando uma obra muito íntima. Fedida e barulhenta.
Terminei, alívio. “Vamos Mariana, mamãe já trocou você, agora vai fazer xixi, tá? Você espera um pouquinho?” E ela me olha com aquela cara de quem já esperou eu me mijar toda e cagar baldes, mas enfim, ok. Me limpo, me levanto. Caio na burrice de dar descarga, totalmente descrente da nova frase que havia ensinado para Mari há alguns dias atrás. E ela, linda, fofa, esperta essa minha filha, diz: “Tchau cocô da mamãe!!!!”.

A foto é da vez que voltei do Refice-PE, numa escala em Brasília. Da primeira vez eu não tive cara nem cabeça pra fazer uma foto.

Mães, vocês me entendem, né?

02 fev 2012

Homenagem à Rainha

Post por anne às 23:27 em escolhas

O mar para mim é a coisa mais bonita da natureza. Tem vida, tem força, cura, energia. Minha paixão pelo mar começou desde muito cedo, na infância. Viagem legal era ir à praia. Sou daquelas, poucas, que vai à praia, não resiste em entrar na água, seja frio, sol, chuva e não se importa com a meleca toda que faz o sal, a areia grudando e entrando em cada orifício do corpo. Delícia!

Muito antes de engravidar eu já sabia o nome que teria minha filha. Pouca gente sabe que Iemanjá, Rainha do Mar, também é chamada de Iansã, Janaína, Marabô, Mucunã, Mariana. A Mariana, a minha Mariana, poderia até se chamar Iansã – para reprovação da sociedade e alvo de bullying na escola, há-há – mas eu fiz questão da palavra MAR no meio do nome. Não vamos discutir Marabô, ok?

No dia que eu saí da ultra, logo após descobrir que carregava em meu ventre uma menina, liguei para meu marido, chorando de alegria, contando a novidade, que era menina, nossa Princesa Mariana. Entrei no carro e coloquei Ana e o Mar de O Teatro Mágico e disse para meu bebê “ouve filha, essa música linda pra gente comemorar este dia, dia que eu tive a confirmação de que era você, princesa, que eu carregava há 17 semanas”.

Nesse mesmo dia fomos a um restaurante, eu, marido e a bebéia no ventre, jantar em comemoração. Eu estava tão feliz que contei da Mariana para todos os garçons que vieram atender a gente.

Coincidência ou não, a médica  que assistiu ao meu parto, leva o mesmo nome. Doutora Mariana, excelente obstetra, referência em partos naturais aqui em Campinas, uma querida, um amor em pessoa. Senti que homenageava não só a Rainha do Mar, mas também a grande mulher que esteve ali, assistindo- me parir e viver o momento mais lindo de toda a minha vida. Foi a primeira pessoa que pegou minha Mariana nas mãos. Quem melhor do que ela, outra Mariana?

Hoje é dia de Iemanjá. 2 de fevereiro. Lançando este blog hoje, como um gancho para contar a história do nome da minha princesa, que influenciada por mim ou não, há de amar o mar.