As meninas do Mamatraca querem saber como nasceram os blogs. O meu é um recém-nascido, veio por meio de um parto transformador! Como não relatar começando pelo passado, né? Pois bem:
Eu fui a primeira da turma do colegial a ter internet banda-larga. A primeira a ter um blog. Isso aos 13 anos. Naquela época blogs eram diários pessoais, com gifs piscantes por toda parte, que os pais reprimiam. Hoje devo muito a isso, com certeza abriu portas para que eu exercesse a profissão que tenho hoje. Sou publicitária por formação, designer por profissão, ilustradora de curiosa e programadora (HTML, php, CSS, essas coisas) de algumas coisinhas de mais curiosa ainda.
Dos 13 anos pra cá, a internet virou uma das minhas melhores amigas.
Claro que ao engravidar eu fiz um blog, extinto, sobre a minha gravidez. Fui notícia de jornal televisivo por relatar meu trabalho de parto (o da minha filha mesmo) no twitter. A repórter me perguntou se eu não tinha medo da exposição. Eles cortaram isso na gravação, mas minha resposta foi mais ou menos assim: Minha filha está nascendo, está acontecendo algo lindo e único na minha vida, por que não mostrar isso ao mundo?
Exatamente. Por que não mostrar ao mundo meus momentos, contar minha experiência, mostrar fotos, vídeos, histórias, da pessoa melhor e mais feliz que sou hoje: MÃE.
Toda mãe sabe que com bebê em casa se conseguimos tomar um banho de 7 minutos tranquilamente, é como ganhar na loteria. Conseguir ir ao banheiro é lucro. Por isso e pela minha vida extra de trabalhadora e dona de casa, eu demorei tanto pra conceber um novo blog materno. Tinha que ser novo, o da gravidez não valia mais, o nome não fazia sentido, as ideias não batiam.
Eu tinha uma grande necessidade de compartilhar minha maternagem. Ia além de uma atualização no facebook, quanto mais um tweet. Mentalizava posts enquanto estava no banho, enquanto amamentava ou quando passava por alguma situação que dava uma história legal. Imaginava os comentários, as trocas de experiência com outras mães, as fotos, os vídeos, os relatos. Vontade, vontade, vontade! Parei de tomar a pílula da preguiça, arrumei um tempo depois que a criança dormiu e mandei ver!
Muito antes dele nascer já tinha um nome. MATERNAGEM. Do verbo Maternar, conjugado nos atos de amor de uma mãe. Eu e minha maternagem. Gestei por muitos, muitos meses. Gestação de elefantas duram mais que 88 semanas. Bem por aí. Meu pré-natal foi feito com Elly Chagas, que descrente por saber que eu, euzinha, não tinha um blog materno, me cutucava incansavelmente no facebook.
Mãe designer que sou, imaginava como ele seria. Fiz alguns rascunhos. Eu sou uma ilustradora prática, não perco tempo com papel, vou direto na tela. Então, não tenho rascunhos palpáveis para mostrar. Mas tenho o ninho onde ele foi concebido, serve?

- Meu notebook, a mesa digitalizadora onde desenho. Tudo isso na minha sala, ao lado da TV. Escritório pra que, quero ficar perto da minha família. Me estacionei com a tralha aí.
A carinha que eu imaginei dele primeiramente era tão diferente de como realmente nasceu. Claro que tem alguns pontos que são parecidos, vindo de mim, alguma coisa minha há de ter.
As corujas chegaram para representar minhas corujices. Esse desenho das corujas eu fiz para uma tatuagem que até hoje vem sendo adiada. Mas o desenho está servindo pra alguma coisa!
Começava a entrar em pródromos bem aí, ao dar início à montagem do layout.

- esse programa é o illustrator- clique para ampliar

- esse programa é o illustrator – clique para ampliar
Aqui eu preciso dizer que quando eu olho demais para alguma coisa, eu me canso dela. Ainda bem que isso não me acontece na vida, principalmente conjugal, senão…
Olhei durante dias pra esse layout e ele começou a me desagradar. Desacelerei o trabalho de parto pedindo uma analgesia. Durou alguns dias. Para engrenar novamente, tomei uma dose de ocitocina, as contrações voltaram fortes, me causando vontade louca de botar aquilo pra fora logo. Me coloquei a desenhar, minha própria filha, tarefa dificílima pra mim. Twittei neste dia que eu fazia layout pros outros, ilustrações pros outros. Mas quando é pra mim mesma, tenho um bloqueio. Alguma bruxaria toma conta de mim e da minha criatividade. Elly Chagas curtiu, acho que queria dizer “Vai minha filha, tem medo de que, você é mulher que entende da coisa, você pode, você consegue, você é forte, força, força, força, força. Respira. Força.”
Caneta na mão (a digital, né gente) e uma menina parecida com a minha, saindo ali na tela. Arruma uma curva aqui, outra ali, acho uma posição mais confortável, escolhe as cores.

- linhas do desenho

Como podem ver, sou indecisa nas cores. Fico testando, olho, testo, olho. Até achar a combinação perfeita.

- tchaaaam!
E é claro, o blog precisava de um logotipo. O que é uma publicitária-designer-mãe-com-blog sem logotipo? É como o tiozinho do cachorro-quente fazer um lanche pra ele mesmo sem a salsicha.
Teste de fontes. Testes, testes. Contrações, vamos logo com isso aí. Louca pra ver a cara do meu blog. Vem photoshop, agora é sua vez de assistir a este parto. Só me auxilie, o trabalho eu mesma faço, fui feita pra isso. Monta daqui, monta dali, layers, layers, colors overlays owwww!

- teste de fontes

- photoshop!
Agora é só programar. “SÓ”. Quem vê pensa que é fácil, mas é a transição, a hora que mais dói. Códigos, letrinhas, muitas. É ver pra crer:

- programando
Instala o wordpress, bota o tema programado, testa ele. O Blog começa a coroar.
Chamem a parteira que o negócio pegou fogo. Chamei Elly Chagas no círculo de fogo e mostrei tudinho pra ela. Ela disse que estava lindo, que eu estava indo bem. Mas vamos, falta parir. A mãe de merda me doulou, também viu em primeira mão meu blog sendo parido.
Foi um parto normal, quase que natural se não fosse a analgesia para tomar fôlego e iniciar um novo layout. Uma barreira minha. E apesar de ter sido normal, eu escolhi o dia do nascimento. Com a minha própria força, muita luta e desempenho, claro. Um dia especial pra mim, para trazer boas energias.
Agora estou aqui, eu, com um blog recém-nascido no colo, precisando ser alimentado. Ele é muito novinho ainda, mas é muito especial pra mim. Como podemos amar tanto alguém que acabamos de conhecer fazer? Prometo amor, prometo alimentá-lo, prometo cuidar de você, blog. Quero que você seja forte, lindo, saudável e tenha sucesso. Pra mim pelo menos sempre terá. Desejo que nunca perca o bom humor, nem julgue ninguém, não ofenda e respeite os mais velhos. Quero que nos traga muito amor, muita experiência, momentos deliciosos, fotos lindas, vídeos legais e informações úteis.
Que lindo. Que orgulho, eu que te fiz. E agora você cresce alimentado exclusivamente por mim.
Sou uma mãe muito feliz e realizada por ter parido você, meu querido blog.
Nota: Esta é a primeira blogagem coletiva nossa! Ownnn!